Alessandro Lúcio

Alessandro Lúcio
Profº Historiador

sábado, 4 de dezembro de 2010

Todo amazonense é índio? Ignorância deles!

Vale lembrar que “índio” é um conceito criado pelos europeus. Quando Cristovão Colombo “descobriu” a América, pensou que tivesse chegado às Índias, daí chamando os nativos de índios. Quando um “especialista” de outra região fala sobre a Amazônia ou sobre os amazonenses dá a impressão que todos somos iguais, homogêneos, como os índios, que segundo a ignorância deles é retratado nesse perfil. Na realidade, os índios não constituíam um todo homogêneo, variavam e variam em altura, cor de pele, corpulência, linguagem, religião, organização política e administrativa e principalmente, de uma diversidade cultural muito grande e peculiar.
Muitos ainda pensam que aqui onça anda na rua, e que na realidade, rua, são caminhos no meio do mato. Muitos não sabem nem que o Acre existe. Quanta ignorância.
Desde a eleição de Dilma Roussef, vejo e leio “analistas” afirmando que o Amazonas foi o grande celeiro de votos da Presidenta porque aqui a população vive de bolsa família, é culturalmente deficiente, extremamente pobre e sem acesso a informação. De forma leiga, equivocada e partindo do princípio do senso comum, tentam novamente homogeneizar o povo amazonense, como se aqui não houvesse diferentes classe sociais, como se todos pertencêssemos à periferia geográfica e econômica do país.
José William Vesentini (2007), um dos maiores geógrafos do Brasil na atualidade afirma que “A Amazônia seria potencialmente a região do futuro, a área que atualmente conhece o maior crescimento demográfico, com intensas transformações” em relação às outras regiões, é a economia que mais cresce no país. Presencia-se gradativa ascensão no setor educacional, com todos os professores com notebooks como ferramentas de trabalho.  Estamos no coração da floresta, mas conectados com o mundo globalizado e onde o sistema de informação de rádio, televisão e jornais não deixam nada a desejar a qualquer região do país. Além de estarmos no estado que mais investe em saúde no Brasil.
Os Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, por exemplo, também deram larga vitória a Dilma, entretanto, segundo esses mesmos analistas, lá foi por concepção política. Por que aqui seria diferente?  Se analisarmos a densidade demográfica de Minas e Rio de Janeiro, ou mesmo São Paulo, onde Serra venceu, a proporção de beneficiários dos programas do governo federal são muito maiores que a do estado amazonense. 
Há de se reconhecer que a política adotada pelo presidente Lula e os programas efetivados no Estado foram fundamentais para a vitória de Dilma. No entanto, a dificuldade de locomoção, a distância de alguns municípios em relação à capital e a difícil logística que envolve o nosso estado de proporções continentais, deve ser levado em consideração, quando se faz qualquer análise em relação ao Amazonas, para que equívocos crassos como esses possam ser evitados no futuro, afinal, é ridículo analisar o povo do Amazonas com a mesma visão de Colombo, há mais de 500 anos atrás, podemos até ser índios; mas ignorantes, são eles.
Publicado no Jornal Itacoatiara em Pauta, 12 de novembro de 2010.

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